BIOSSEGURANÇA
1. Importância da Biossegurança
A biossegurança é essencial para:
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Manter a saúde animal e o bem-estar;
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Reduzir prejuízos económicos;
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Minimizar o uso de antibióticos;
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Evitar zoonoses e garantir a segurança alimentar.
Explorações extensivas, embora menos densas, têm maior exposição a animais selvagens e menos barreiras físicas.
2. Legislação Relevante
Inclui:
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Lei da Saúde Animal (Reg. EU 2016/429);
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Regulamentos sobre vigilância, erradicação e controlo de doenças;
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Normas sobre subprodutos animais, biossegurança e bem-estar;
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Regulamentação nacional para explorações pecuárias e gestão de cadáveres.
3. Conceito de Biossegurança
Conjunto de medidas físicas e de gestão para reduzir riscos de entrada, desenvolvimento e disseminação de doenças numa exploração.
Dois componentes principais:
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Bioexclusão: impedir que doenças entrem.
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Biocontenção: impedir que se espalhem dentro da exploração.
4. Vias de Transmissão de Doenças
A transmissão pode ocorrer:
Direta
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Contacto com fluidos corporais, secreções, aerossóis;
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Reprodução e transmissão vertical.
Indireta
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Via oral (água ou alimentos contaminados);
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Via respiratória (poeiras, aerossóis);
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Via reprodutiva;
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Pela pele/mucosas;
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Transmissão iatrogénica (agulhas, material sujo);
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Vetores: mosquitos, carraças, roedores, aves selvagens.
5. Medidas de Biossegurança
5.1. Medidas de Proteção Física
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Localização adequada da exploração, longe de fontes de risco;
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Vedações eficazes, enterradas quando possível, para impedir entrada de javalis e outros selvagens;
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Redes superiores e laterais para aves (especialmente em zonas de risco de gripe aviária);
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Rodilúvios e pedilúvios na entrada;
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Áreas separadas: zona limpa vs zona suja.
5.2. Limpeza e Desinfeção
Protocolos incluem:
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Remoção de matéria orgânica;
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Lavagem de alta pressão;
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Secagem;
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Aplicação de desinfetante aprovado;
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Vazio sanitário mínimo de 10 dias.
Material e equipamentos devem ser igualmente higienizados.
5.3. Controlo de pragas
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Monitorização de roedores e insetos;
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Evitar acúmulo de lixo e alimentos;
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Manter vegetação controlada.
6. Medidas de Gestão
6.1. Entrada e saída de animais e sémen
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Avaliar estatuto sanitário da origem;
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Minimizar número de fornecedores;
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Quarentena obrigatória de 3–4 semanas;
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Testes sanitários conforme plano oficial.
6.2. Água e alimentação
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Água testada e protegida de animais selvagens;
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Comedouros altos ou seletivos;
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Evitar restos de comida ou lavaduras (proibido na UE).
6.3. Veículos
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Limitar entrada;
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Recolhas e entregas preferencialmente feitas fora da vedação;
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Rodilúvio obrigatório;
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Cais de descarga limpo e desinfetado.
6.4. Pessoas
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Registo de entradas;
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Vestuário e calçado exclusivo;
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Higienização das mãos;
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Separação de zonas limpas e sujas;
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Visitantes devem seguir circuito definido.
6.5. Material e equipamento
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Limpeza regular;
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Evitar partilha entre instalações;
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Armazenamento protegido.
6.6. Gestão de cadáveres e subprodutos
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Armazenamento em local fechado e refrigerado;
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Eliminação via SIRCA, incineração, UPS, ou enterro em zonas remotas;
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Registos obrigatórios.
6.7. Controlo de doenças
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Vacinação conforme espécie;
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Desparasitação regular;
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Isolamento de doentes;
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Observação diária.
7. Planos de Biossegurança
Cada exploração deve ter um plano que inclua:
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Registos de movimento de animais;
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Protocolos de quarentena;
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Procedimentos para veículos, pessoas e equipamentos;
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Protocolos de limpeza e desinfeção;
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Plano sanitário: mortalidade, tratamentos, vacinas, testes laboratoriais.



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